sábado, 5 de maio de 2012

Emerson discorre sobre a Amizade.


" Acrescentai o acordo do querer e do temperamento, e tereis o laço da amizade. Nossa grande necessidade é alguém que nos faça fazer o que podemos. Eis aí o serviço que nos presta um amigo. Com ele, somos facilmente grandes. Há nele um poder sublime que faz surgir tudo o que há de virtude em nós. Como abre amplamente as portas da existência! Que questões lhe apresentamos! Que aliança há entre nós, e como bastam poucas palavras! Eis aí a única sociedade real... Mas poucos escritores falaram melhor sobre este ponto do que Hafiz, que com isso nos dá a pedra de toque de sua saúde mental: ' Tu não saberás nenhum segredo enquanto não tiveres conhecido a amizade, porque na alma que não é sã não penetra nenhum saber celeste'. A vida não é nunca muito longa para a amizade. É coisa séria e majestosa, como uma presença real ou a religião, e não um repasto de postilhão a engolir no caminho. Há um poder na amizade como no amor, e embora as belas almas não o percam nunca de vista, não o nomeiam. Com os homens de primeira ordem, nossa amizade ou boa aliança está completamente fora de todas as questões de distância, de condição, de reputação. E, entretanto, não provemos o maior dos bens da vida. Cuidamos de nossa saúde, guardamos dinheiro, queremos nossa casa bem cercada e roupas suficientes; mas quem providencia sabiamente para não lhe faltar o melhor de todos os bens - os amigos?"
Sabemos que toda a nossa educação tende a preparar-nos para a amizade e, no entanto, não damos um passo sequer em sua direção. Quanto tempo permaneceremos e ficaremos imóveis à espera desses benfeitores?
Não podeis tratar sistematicamente esse elemento sutil da sociedade; poder-se-á trabalhar para reunir as pessoas, organizar clubes e debating societies, e entretanto não chegar a coisa alguma. Mas é certo que há em nós uma grande soma de bem que se ignora a si mesma,  que o hábito da união e do incentivo eleva e mantém as pessoas no seu mais alto ponto, e que a vida seria duas ou dez vezes mais a vida, se a passássemos com companheiros sábios e benevolentes. A conclusão evidente é que antes de comprar casas e terras, há mister um pouco de reflexão útil e de entendimentos prévios."

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