quarta-feira, 23 de maio de 2012

Para a minha Musa... Pelo que consegues de mim, por essa parte de mim mesmo que revelas...

Os gregos antigos quando realizavam alguma coisa nas artes se diziam inspirados por suas Musas, as Musas eram entidades do mundo não físico que se comunicavam com os seus eleitos dando-lhes o poder necessário para realizar feitos extraordinários. Outro dia revendo o caderno de poesia da minha mãe encontrei essa poesia que só pode ser endereçada para alguém que o conheça muito bem e que tenha, acima de tudo, muito amor por você. Para Uma Musa.

Gosto de ti
não somente pelo que és
mas pelo que sou
quando estou contigo.

Gosto de ti
não apenas pelo que consegues de ti mesma
como também pelo que consegues de mim.

Gosto de ti
por essa parte de mim mesmo que revelas.

Gosto de ti porque,
pousando a mão sobre meu coração cheio de coisas
desprezas as tolas, frívolas e fracas
que entretanto não podes deixar de entrever
e sublinhas de luz
todas as belas e radiantes qualidades
que ninguém mais
indo bastante fundo
soube ver.

Gosto de ti, será que acreditas?

Gosto de ti
por ignorares que sou capaz de ser insensato
e só quereres saber
que sou capaz de ser bom.

Gosto de ti
por fechares ouvido às minhas dissonâncias
e alimentares a harmonia que há em mim
ouvindo-a com benevolência.

Gosto de ti
porque me ajudas a amar
a estrutura da minha vida
não em taverna
mas em templo
e das minhas cotidianas palavras
não numa censura
mas numa canção.

Gosto de ti
porque fizeste mais do que qualquer crença
seria capaz de fazer
por me tornar
mais feliz.

Tudo isto fizeste
sendo somente o que és
Talvez seja isso
o que se entende por amor.

sábado, 5 de maio de 2012

Emerson discorre sobre a Amizade.


" Acrescentai o acordo do querer e do temperamento, e tereis o laço da amizade. Nossa grande necessidade é alguém que nos faça fazer o que podemos. Eis aí o serviço que nos presta um amigo. Com ele, somos facilmente grandes. Há nele um poder sublime que faz surgir tudo o que há de virtude em nós. Como abre amplamente as portas da existência! Que questões lhe apresentamos! Que aliança há entre nós, e como bastam poucas palavras! Eis aí a única sociedade real... Mas poucos escritores falaram melhor sobre este ponto do que Hafiz, que com isso nos dá a pedra de toque de sua saúde mental: ' Tu não saberás nenhum segredo enquanto não tiveres conhecido a amizade, porque na alma que não é sã não penetra nenhum saber celeste'. A vida não é nunca muito longa para a amizade. É coisa séria e majestosa, como uma presença real ou a religião, e não um repasto de postilhão a engolir no caminho. Há um poder na amizade como no amor, e embora as belas almas não o percam nunca de vista, não o nomeiam. Com os homens de primeira ordem, nossa amizade ou boa aliança está completamente fora de todas as questões de distância, de condição, de reputação. E, entretanto, não provemos o maior dos bens da vida. Cuidamos de nossa saúde, guardamos dinheiro, queremos nossa casa bem cercada e roupas suficientes; mas quem providencia sabiamente para não lhe faltar o melhor de todos os bens - os amigos?"
Sabemos que toda a nossa educação tende a preparar-nos para a amizade e, no entanto, não damos um passo sequer em sua direção. Quanto tempo permaneceremos e ficaremos imóveis à espera desses benfeitores?
Não podeis tratar sistematicamente esse elemento sutil da sociedade; poder-se-á trabalhar para reunir as pessoas, organizar clubes e debating societies, e entretanto não chegar a coisa alguma. Mas é certo que há em nós uma grande soma de bem que se ignora a si mesma,  que o hábito da união e do incentivo eleva e mantém as pessoas no seu mais alto ponto, e que a vida seria duas ou dez vezes mais a vida, se a passássemos com companheiros sábios e benevolentes. A conclusão evidente é que antes de comprar casas e terras, há mister um pouco de reflexão útil e de entendimentos prévios."